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sexta-feira, abril 02, 2010

DOCUMENTÁRIO RELEMBRA AS ATRIBULAÇÕES DE JOHN LENNON NO PAÍS DO ROCK

O filme "Os EUA X John Lennon" estreia no Brasil em 4 de abril, com quatro anos de atraso e empacotado numa frase elogiosa da viúva do ex-Beatle, Yoko Ono: “De todos os documentários já feitos sobre John Lennon, este é o que ele amaria”. Yoko deve saber de fato o que o marido assassinado em 1980 pensaria, mas a frase usada para promover por aqui a produção de David Leaf e John Scheinfeld diz apenas metade de tudo que está em jogo. A história contada é honrosa não apenas para John, mas também para Yoko.
A meta é recuperar um dado específico da biografia da dupla – o esforço do governo republicano de Richard Nixon para deportar John (e Yoko) no início dos anos 1970 – e explicar os seus porquês.

Em palavras resumidas, o britânico Lennon irritou o governo norte-americano por ridicularizar a guerra do Vietnam, fazer músicas contra Nixon, escrever letras pacifistas (tipo Give Peace a Chance) que eram cantadas por milhares às barbas da Casa Branca, aproximar-se dos Panteras Negras (ou seja, do movimento pelos direitos civis dos negros), cantar em público pela soltura de um poeta e ativista de esquerda (John Sinclair) condenado à prisão por oferecer dois cigarros de maconha para uma policial disfarçada. E, quem sabe, por fazer tudo isso incitado em certa medida por uma artista plástica vanguardista esquerdista japonesa mulher sobrevivente do bombardeio de Tóquio pelos EUA em 1945, com quem ele tivera a estranha ideia de se casar.
“Essa bruxa japonesa o enlouqueceu, ele pirou”, vocifera um homem de mídia da época, logo no início do filme. Por sua parte, o casal encena uma lua-de-mel multiétnica pública numa cama rodeada de cartazes pedindo paz (e de repórteres). Bélica diante do casal, uma jornalista diz a John que ele ficou “ridículo” e que suas ações não têm qualquer serventia para a paz.

Egresso dos Beatles, Lennon continuava sendo um herói mundial, apesar das supostas “maluquices”. Era combatido, mas continuava a ser respeitado, até certo ponto. A barra pesava mesmo era para Yoko, que aparece em dez entre dez cenas de época tentando falar e não conseguindo. Sua cabeça que balança em silêncio contrasta com os depoimentos loquazes que ela concede no presente, tentando remontar o passado. E fica evidente ao espectador (se já não estava) a feroz futilidade dos argumentos corriqueiramente utilizados para rejeitá-la, no mínimo, ou ejetá-la da história, no máximo.
Uma lista bombástica de ingredientes torna a fervura suficientemente quente: direitos humanos, racismo, misoginia, machismo, autonomia feminina (os depoimentos da feminista negra Angela Davis são eloquentes, assim como são os de personas non gratas pelo conservadorismo norte-americano como Gore Vidal, Noam Chomsky e Tariq Ali), sexo, casamentos (e filhos) multirraciais, pacifismo, liberação de drogas... Até o “ame-o ou deixe-o”, muito conhecido de certo país da América do Sul, aparece ali em versão anglo-americana, nos depoimentos de ex-agentes do FBI e que tais.
É forçoso concluir que o país que queria extraditar John e Yoko era uma nação que lutava a favor de guerra, ódio racial, misoginia, eugenia, puritanismo, mordaça. Lançado antes do advento de Obama, Os Estados Unidos Contra John Lennon deixa explícitos os paralelos que quer estabelecer entre a era Nixon e a era Bush Jr. “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, diria em tom de pergunta certa cantora brasileira, se pudesse entrar na conversa.
O melhor de tudo é que, conquistas e retrocessos à parte, Yoko “sim, eu sou uma bruxa” Ono continua por aí, incomodando onde John Lennon e Elis Regina não podem mais incomodar. Não é à toa, nem sem merecimento, que ela ama tanto esse eloquente documentário.

2 comentários:

Juliana Pires disse...

O documentário parece ser bem interessante, John Lennon era uma pessoa para lá de corajosa, cheio de idéias diferentes, avançadas, revolucionárias, pena que demorou tanto tempo para chegar no Brasil.

Beijos

Franzé Oliveira disse...

Olá "my broter", quero falar de uma pessoa que em sua brilhante postagem você menciona, Noam Chomsky. É professor de Linguistica e Filosofia do Instituto de Tecnologia de Massachussets. Ainda vive com seus quase 100 anos. A produção escrita de Chomsky continua a nos surpreender e nos encantar com sua visão profunda, sua abrangência interdisciplinar e sua racionalidade científica. Ativista político e sempre atacou à geopolítica norte-americana como também, fez duras críticas aos meios de comunicação de massa. Tornou-se um ícone dos movimentos anti-globalização. Mas sua genialidade revela-se nos estudos da linguagem,das novas perspectivas filosóficas para os estudos cognitivos da mente, abrangendo da relação mente-corpo ao debate sobre a unificação da ciência.
Adorei sua postagem, parabéns.